quarta-feira, 15 de abril de 2009

"Pipa II"

"Dê muita corda

Deixe seu sonho voar

Ele tem pressa

Ele não pode esperar

Morre de esperar demais."


"Parada de ônibus"


"A idade se repete nas filas

dos ônibus.

A ansiedade, a agonia, o medo do atraso,

a vontade de chegar em casa,

a necessidade de fugir,

o passeio esperado,

o desejo de abraçar os bem-amados,

tudo é somado, pedaços de conversa,

celulares e retalhos de assuntos,

expostos quais frutas em banca de feira.

nenhum pudor em xingar, reclamar, se desculpar:

cada um tem sua musiquinha, uns jogam ,

outras consultam recados...

E o tempo urge, ruge,, a turma/turba reage,

um coletivo passou sem parar.

"É porque não pago mais passagem", treme o idoso

ao desabafar.

Alguém tem cólicas, uma das mulheres se encolhe ,

cai ao chão e começa a dar à luz.

Um trombadinha aproveita a confusão

e bate a carteira de alguém.

Fulaninho nasce ali mesmo:

um dia ele também estará numa fila, esperando

ônibus.

Na parada em movimento.

O dia quer dormir, a noite começa a esperar

também...

E com ela, os trabalhadors da noite, os boêmios e os

insones

a esperar outros ônibus..."


"Forró"

"O forró lá na fazenda

vai até as altas horas

Invadindo a moenda

Sacudindo as senhoras!

Até o galo vem dançar

co'a galinha carijó

Esta a cacarejar...

dá um nó em seu gogó!

A égua e o cavalo

gostam de se esfregar

E no meio do embalo

já começam a namorar!

....

Se você quer ser feliz

seja simples por favor

Ouve a vida que lhe diz...

"Só cultive o amor"!"


"Esperando clientes III"

Poetisa: Casti


"Os carros passam lentamente, observando a mercadoria, avaliando e alimentando o desejo... Coxas, seios, bocas à mostra, oferta do “móvel” que tem para todos os gostos taras e fetiches. Negociações e acordos, ela quer o dinheiro, ele quer o resgate do desejo que por algum tempo foi sepultado..."