"Pipa II"
"Dê muita corda
Deixe seu sonho voar
Ele tem pressa
Ele não pode esperar
Morre de esperar demais."
"Parada de ônibus"
"A idade se repete nas filas
dos ônibus.
A ansiedade, a agonia, o medo do atraso,
a vontade de chegar em casa,
a necessidade de fugir,
o passeio esperado,
o desejo de abraçar os bem-amados,
tudo é somado, pedaços de conversa,
celulares e retalhos de assuntos,
expostos quais frutas em banca de feira.
nenhum pudor em xingar, reclamar, se desculpar:
cada um tem sua musiquinha, uns jogam ,
outras consultam recados...
E o tempo urge, ruge,, a turma/turba reage,
um coletivo passou sem parar.
"É porque não pago mais passagem", treme o idoso
ao desabafar.
Alguém tem cólicas, uma das mulheres se encolhe ,
cai ao chão e começa a dar à luz.
Um trombadinha aproveita a confusão
e bate a carteira de alguém.
Fulaninho nasce ali mesmo:
um dia ele também estará numa fila, esperando
ônibus.
Na parada em movimento.
O dia quer dormir, a noite começa a esperar
também...
E com ela, os trabalhadors da noite, os boêmios e os
insones
a esperar outros ônibus..."
"Forró"
"O forró lá na fazenda
vai até as altas horas
Invadindo a moenda
Sacudindo as senhoras!
Até o galo vem dançar
co'a galinha carijó
Esta a cacarejar...
dá um nó em seu gogó!
A égua e o cavalo
gostam de se esfregar
E no meio do embalo
já começam a namorar!
....
Se você quer ser feliz
seja simples por favor
Ouve a vida que lhe diz...
"Só cultive o amor"!"
"Esperando clientes III"
Poetisa: Casti
"Os carros passam lentamente, observando a mercadoria, avaliando e alimentando o desejo... Coxas, seios, bocas à mostra, oferta do “móvel” que tem para todos os gostos taras e fetiches. Negociações e acordos, ela quer o dinheiro, ele quer o resgate do desejo que por algum tempo foi sepultado..."